What a 404 page tells you is that you fell through the cracks. And that is not a good experience
A mensagem de erro page not found deve ser o conteúdo mais visto na Internet. Este erro ocorre sempre que o utilizador consegue comunicar com o servidor desejado, mas este não encontra a página que o utilizador pediu [2]. O famoso erro 404 faz parte de uma longa lista de erros previstos pelo Word Wide Web Consortium [3].
Serve-me a analogia do page not found para dois pensamentos complementares.
Primeiro, que visualmente, as páginas com o erro 404 são, maioritariamente, todas semelhantes entre si. Aliás, quando algumas empresas utilizam de forma criativa estas páginas de erros são amplamente notadas. Até mesmo as Ted Talks[4], uma das mais conceituadas organizações de conferências do mundo, reservou parte do seu tempo para uma apresentação sobre este tema [1].
De igual modo a que quase todas as page not found são visualmente iguais, também o são, praticamente, todas as páginas de artigos que encontramos na Internet.
Avanço portanto que devemos pensar em novas formas de construir e apresentar os artigos publicados online. Quem sabe se esta reinvenção irá atrair, não só a atenção de alguns dos gurus do mundo digital, mas também da ampla audiência que navega a rede?
O segundo pensamento que a analogia do erro 404 me apresenta é que, mais do que um erro, podemos considerar o page not found como uma falha de narrativa, na interacção que o utilizador tem com a Internet. Como se a um livro, faltasse todo um capítulo.
Bolter e Gromala [5] avançam que Today, we do not operate computers; rather, we interact with them, and successful digital artifacts are designed to be experienced, not simply used
.
O sucesso do desenho de uma aplicação depende da experiência que a mesma oferece ao utilizador [5] e, acrescento, não existe experiência sem interacção entre o utilizador e o artefacto que suporta a aplicação.
Desta forma, para entender melhor o ponto de encontro entre a interacção e a experiência, devemos procurar dominar o processo de design digital através da re-invenção e do refinamento de convenções de media, no sentido de podermos avançar mais rapidamente para a criação de géneros digitais mais maturos, coerentes e expressivos. [6]
Janet H. Murray avança que abandonemos o termo utilizador e começamos a usar o termo interactores para definir a audiência digital. Desta forma, segundo Murray, By designing for interactors rather than users we remind ourselves of the larger context of design beyond mere usefulness
, acrescentando (...) digital design is not about filling a neutral technical container with a preexisting package; digital design is about shaping interaction within new combinations of the format and genre conventions that make up a new medium
. [6]
Defendo assim, ligando a minha primeira ideia a esta, que estamos no momento certo e necessário para re-inventar as nossas narrativas, contadas e distribuídas em suporte digital. Estas dever-se-ão tornar mais expressivas, coerentes e maduras, não só através dos conteúdos que fazem parte das mesmas, mas também respondendo às expectativas de experiência e interactividade que os interactores modernos têm da utilização de artefactos digitais como suporte para lhes contarem histórias.
Narrativa, interacção, experiência, interactores, re-invenção, Internet, design digital
[1] Renny Gleeson, 404 The Story of a Page Not Found, TED talk
[2] Wikipedia, Error 404
[3] Validate error pages (No. 200): The Markup Validator will usually tell you if the page you tried to validate could not be retrieved (for example, if the server gave a 404 not found
message). W3c, The World Wide Web Consortium
[4] TED, Ideas Worth Spreading
[5] Bolter e Gromala, Windows and Mirrors
[6] Janet H. Murray, Inventing the Medium: Principles of Interaction Design as a Cultural Pratice
A informação sempre foi essencial para os seres humanos. Antes da invenção da
impressão mecanica por Gutenberg, as notícias
eram emitidas através do boca a boca. A primeira edição do que é hoje considerado o
primeiro jornal deve-se ao governo veneziano através do título Notizie Scritte. Esta é uma
publicação mensal, escrita à mão e vendida por uma gazeta a
cópia.
O avanço do jornalismo está intimamente conectado à necessidade de obter notícias
comerciais sobre lugares longíquos e muitos dos primeiros jornais estão ligados a locais com fortes
tradições comerciais, como a Holanda, a Alemanha, a Inglaterra, etc.
É na Alemanha que é impresso o primeiro jornal, Relation:
Aller Furnemmen, em Estasburgo e em 1609.
Mas Inglaterra e as suas colónias americanas marcam um dos pontos mais importantes na história
do jornalismo. É nas colónias do Novo Mundo que o jornalismo nasce da forma mais próxima
ao que conhecemos actualmente. Uma série de impressores e editores são responsáveis pelo
aparecimento de um sem número de jornais, que em muito contribuem para a revolução americana.
Em também nos Estados Unidos da América, em 1833, que aparece o primeiro jornal moderno, o The Sun.
Publicado em Nova Iorque, pelo editor Benjamin Day, este é o primeiro jornal com um preço de capa
acessível a uma grande franja da população e onde, pela primeira vez, a venda de espaço
publicitário contribui, não só para o baixo preço de venda da publicação,
mas também para a contratação de pessoal dedicado à prática
jornalística.
Se a invenção da objectividade do jornalismo publicado é uma invenção relativamente
recente no mundo dos jornais, conforme podemos ver, a importância
e relevância da transmissão de informação entre humanos é vital para o tecido social
da nossa espécie e os Homens sempre procuraram soluções eficazes para o conseguir.
Jornalismo, jornal, Gutenberg, informação
O tradicional formato de um artigo jornalístico para jornal é o da pirâmide invertida. Esta forma de escrever artigos jornalísticos está ‘presa’ à fórmula dos 5 W’s e 1 H: What, Who, Where, When, Why and How. Esta fórmula, não só representa uma solução para dar resposta a todas as questões consideradas essenciais a responder num artigo notícioso, como apresenta em si a própria estrutura do corpo do artigo. Ainda hoje, esta fórmula é muito usada, não só em edições de papel de um jornal, como também nas suas edições online.
Não se conhece a razão para a invenção desta forma de organização de informação, embora haja quem defenda que a mesma se deve às problemáticas inerentes ao fecho de uma edição em papel, antes da invenção do desktop publishing – no caso de um artigo não caber no espaço designado para o mesmo em página, um editor limitava-se a cortar o último parágrafo, sabendo que não estaria a perder informação importante.
Mais tarde, novas fórmulas de escrita de artigos foram encontradas, entre elas temos a notícia em ordem cronológica e a notícia em pirâmide de pirâmides .
Qualquer que fosse a fórmula, o jornalismo produzido deveria ser guiado por investigação, entrevista e pela confirmação dos factos encontrados.
Finalmente, um novo estilo foi criado chamado Novo Jornalismo, ou Jornalismo Narrativo. Este estilo de escrita alia a prática literária da ficção à seriedade inerente do jornalismo e da escrita não ficcional.
Ultimamente, este estilo de escrita tem assistido a um renascimento, com uma nova geração, tanto de escritores, como de suportes para a produção e distribuição desta forma jornalística.
Jornalismo, jornal, pirâmide invertida, cinco w's, novo jornalismo
O início do uso da fotografia no jornalismo dá-se por volta de 1925, na Alemanha.
A esta prática está associada a invenção da primeira máquina
fotográfica de 35mm, a Leica.
Com esta máquina leve e portátil, os fotógrafos estavam livres para irem onde quisessem
e retratar a realidade conforme a mesma ia acontecendo.
Outra invenção da altura que contribuiu
para o crescimento do fotojornalismo foi a invenção da
revista fotojornalismo.
Ao contrário do que tinha sido habitual até então, onde as fotografias na imprensa
serviam apenas um propósito de decoração, nestas 'novas' revistas os editores trabalhavam
directamente com os jornalistas fotográficos na criação de histórias visuais.
Rapidamente, nos EUA foi lançada a famosa revista Life.
Durante a Segunda Guerra Mundial, a revista Life foi, provavelmente, a mais importante revista de fotojornalismo
do mundo, abrindo o caminho que várias outras publicações iriam percorrer na prática
de jornalismo visual.
É impossível falar de fotojornalismo sem falar de
Robert Capa. Este jornalista fotógrafo acompanhou vários conflitos mundiais, reportando
através das suas fotos o que se passava nas linhas da frente. Capa ficou famoso com a sua foto
da Guerra Civil Espanhola, onde um vemos um soldado, no momento em que uma bala inimiga o atinge.
Nos finais do séc. XX, as revistas dedicadas ao fotojornalismo
começaram o seu declínio,
principalmente devido a pressões económicas, uma vez que as vendas desciam e
o público já não precisava de comprar revistas para assistir ao que se passava mundo
fora. Tinha chegado o tempo da televisão e das transmissões em directo, via satélite.
De qualquer modo, o chamado 'período de ouro' do fotojornalismo, bem como o
estudo da
sua história, forneceram uma lição importante, ainda hoje, para a prática
do jornalismo.
Revista, Leica, Robert Capa, Life magazine, fotojornalismo, fotografia
O rádio, inventado no final do século XIX, é considerado o primeiro meio de comunicação em massa.
Vários inventores estão ligados à descoberta da radiofonia, mas é a Marconi e à sua empresa com
o mesmo nome que, normalmente, atribuímos a descoberta da transmissão de emissões de rádio a grande
distâncias e a massificação do meio.
Ao contrário do artigo jornalístico para papel, a distribuição de notícias via rádio
implica a construção de artigos usando fórmulas mais simples. A duração usual de um boletim
informativo de rádio é de 6 a 8 minutos.
Devido à natureza do meio, os artigos jornalísticos de rádio são escritos de uma forma mais simples.
A fórmula mais usada é a KISS (Keep It Short and Simple). Uma frase não deverá ter mais do que 20 palavras
e não conter mais do que duas ideias. As frases deverão ser simples. O tom é de maior proximidade, como se o
jornalista falasse directamente com o receptor e apenas com ele.
Também ao contrário da notícia escrita, para rádio não são usadas citações.
Sempre que seja necessário citar alguma fonte usar-se-á a gravação da mesma a proferir a citação.
Atribuição da autoria de uma citação dever-se-á fazer antes da mesma e não após como
no artigo escrito.
Devido à maior dificuldade de atenção por parte da audiência e à impossibilidade de ‘andar
para trás’ no artigo, conforme é possível no artigo escrito, é importante que o tema principal do
artigo jornalístico de rádio seja repetido várias vezes durante a
duração do mesmo.
Finalmente, os artigos jornalísticos de rádio podem usar a fórmula de ‘documentários de
rádio’, uma forma mais perto do jornalismo de investigação e do jornalismo narrativo
do suporte em papel.
Rádio, Marconi, comunicação em massa, KISS, jornalismo
Esta forma de artigo jornalístico é considerado a primeira forma de aliar a imagem em movimento
à notícia. Inventada em França, em 1908, pela companhia
Pathé Fréres, o artigo jornlístico de cinema está mais próximo do documentário
do que das notícias televisivas como as conhecemos.
Este formato de divulgação de notícias tomava o seu lugar nas salas de cinema,
antes da emissão de filmes.
De um número grande de produtores de artigos jornalísticos de cinema, com a introdução
do som no cinema, as empresas produtoras destes pequenos documentários não ficcionais dimunuíram
bastante em número, uma vez que o equipamento necessário para a produção de filmes com imagem
e som era bastante mais caro.
O artigo jornalístico de cinema, muitas das vezes, não documentava um uma notícia enquanto a mesma se
passava, mas limitava-se a reencenar os acontecimentos passados de uma notícia. Desta forma, era normal a
reencenação de batalhas e de
outros eventos noticiosos.
Esta forma de jornalismo durou até ao final dos anos sessenta do século XX, tendo sido gradualmente substítuido
pelas notícias na televisão.
Aliado ao cinema temos também o filme documental. No início do cinema a designação de documentário
estava associada a qualquer captura de realidade pela câmara. Assim, a maioria dos primeiros filmes de cinema poderão
ser considerados documentários. É nos anos 30 e 40 do século XX que a propaganda política usa a forma
documental do cinema para passar a sua
informação.
É de notar que nem todos os documentários são objectos jornalísticos, uma vez
que não são derivados dos mesmos príncipios que o jornalismo tradicional, o que informar objectivamente.
Jornalismo, cinema, actualidade, newsreel, documentário
A televisão é o media de massas de definição.
Com a televisão, as notícias também se transformaram em notícias
de massa e os temas das mesmas, muitas vezes, tornaram-se globais. O artigo jornalístico
de televisão é, por natureza do meio, essencialmente visual, apresentando vídeo
como a forma essencial de
base para as suas histórias.
A elaboração de um artigo jornalístico de televisão é muito parecido
com o de rádio na sua forma simples, valendo para este formato a fórmula KISS mencionada
no artigo sobre rádio. A esta fórmula e outras obrigações exigidas para simplicidade do artigo
jornalístico de televisão, acresce o facto de que o texto jornalístico é,
normalmente, escrito após a captura e edição das imagens vídeo que prefazem
o artigo jornalístico. Esta solução advém da necessidade de coordenar o texto
narrado com as imagens da história.
Outra das preocupações inerentes a esta forma jornalística é a da medição
da exigência de atenção que cada um dos meios (vídeo e som) tem sobre o receptor da
história. Assim, é normal que para imagens fortes não exista a narração sonora
da notícia e que, quando se narram factos importantes ou complexos jornalísticos, as imagens
que o acompanham sejam simples na
informação que contêem.
Um outro formato de jornalismo em televisão é o do debate político. Desde que Nixon
e Kennedy debateram as suas políticas na televisão, em 1960, a política nunca
mais
seria a mesma. Os debates políticos televisivos, nos EUA, são mediados
por regras
muito restritas.
Jornalismo, televisão, KISS, debate
Períodos de transição
Um exemplo de um livro impresso, no qual foram deixados espaços para acrescentar capitulares desenhadas à mão
Normalmente, todos os novos media sofrem um período de transição onde,
por não sabermos ainda como tirar o melhor potencial das inovações tecnológicas,
tentamos adaptar o que já sabemos a estes novos media.
Desta forma, as primeiras transmissões de rádio eram ao vivo e tinham a espontaniedade
e o aspecto do teatro e do
teatro de variedades. Da mesma forma, os primeiros artigos jornalísticos baseados em imagem
(primeiro a fotografia jornalística e, depois, os artigos jornalísticos de cinema)
reencenavam os factos passados, da mesma forma que os
artigos escritos o faziam,
não sendo levantadas questões deontológicas sobre esta prática.
Mais tarde, as primeiras transmissões de televisão mais não são do que programas
de rádio com imagens. Uma das primeiras transmissões da BBC, em 1936, espelha bem esta
questão do período de adaptação aos novos media.
Vários autores, entre eles Nick Bilton, colunista do New York Times e autor de vários
livros, defendem que estamos também num período de transição no que refere
aos artigos
jornalísticos na Internet. A ser verdade este facto, e o estudo dos primeiros passos dos
anterioes media demonstram essa veracidade, então temos que inventar uma nova forma de pensar
e apresentar os artigos jornalísticos na Internet. Uma nova forma que; tal como na televisão,
actualmente, tiramos completo partido de várias câmeras e planos; tire partido de todas as
novas formas de comunicação que a rede digital nos oferece.
Período de transição, teatro, rádio, televisão, Nick Bilton, BBC
O artigo jornalístico digital em muitos aspectos sofre ainda da problemática
associada com a fase de transição imposta pela introdução de uma
nova tecnologia. Desta forma, na maioria dos casos,
o artigo jornalístico digital apenas mimetiza o que é pratica noutras formas de
artigos jornalísticos às quais o site jornalístico está associado.
Isto é, em sites noticiosos maioritariamente ligados à imprensa escrita vemos os
artigos jornalísticos digitais em tudo influenciados pelo conhecimento profissional
vigente, neste caso o do
artigo jornalístico em jornal e revista. Do mesmo modo, os artigos presentes em sites ligados
a cadeias de televisão são influenciados, tanto pela prática profissional vigente,
espelhada na produção de vídeos online que mais não são do que
artigos jornalísticos televisivos; como pela prática associada ao papel, de onde os
artigos de texto são semelhantes ao artigo jornalístico de papel.
De qualquer modo, esta questão prática não implica que não exista um
pensamento profundo sobre o que um artigo jornalístico digital devesse ser. Doug Millison
define algumas particularidades do artigo jornalístico digital, das quais devemos destacar
a
possibilidade de publicar em tempo real, o poder de arquivo digital de acesso imediato da notícia,
as possibilidades multimédia do meio e a possibilidade de interactividade com a mensagem.
Actualmente porém, o pensamento sobre o futuro do jornalismo digital (e, consequentemente, o
do artigo jornalístico digital) ainda está muito preso à unificação
das diversas especialidades dentro das redacções (texto, imagem, vídeo, infografia, etc.),
a famosa terceira vaga jornalística
e não na prática sustentada e concertada das diferentes polivalências profissionais
na produção de um artigo verdadeiramente nativo ao meio que o suporta.
Período de transição, jornalismo, online, Doug Millison, futuro
An important reason for doing user or customer research
is so you can understand the mental
models of your target audience. [1]
As ideias neste texto, embora o mesmo deixe perceber alguns sinais da sua idade, encontram-se
perfeitamente adqueadas no nossos dias. Proponho, para que as possamos melhor adaptar à
nossa realidade e compreendê-las, que alteremos a noção de
hipertextualização para a de multimédia.
Eu explico: a forma como o hipertexto permitia, em 2001 – data da última edição
do livro [2]–, libertar o autor digital na criação
de uma página e de um texto; consegue-se agora, não só com hipertexto, mas também
através do multimédia. Desta forma, podemos acrescentar ainda mais complexidade às
ideias válidas levantadas por Jay David Bolter.
É interessante notar que, fundamentalmente, o que perseguimos na atualidade como autores/criadores
para a re-invenção de um novo diálogo digital mais não seja do que um regresso
às nossas origens, um ‘regresso a casa’, se assim o podermos pôr.
A não-linearidade temática no domínio digital, que por obrigação
da paginação da folha do livro impresso nos fugia, não será mais do que
o renascimento do diálogo como forma maior da troca de ideias entre humanos. Perceber que a realidade
cultural (ainda) actualmente inscrita em todos nós, da publicação (no sentido de tornar
pública) de uma ideia, construída passo a passo até à apresentação
de uma única solução, não passa de uma mera herança relativamente recente
no historial da comunicação humana; é de maior importância para o redesenho da
comunicação digital.
Pensando sobre esta linha, podemos observar que mais não fazemos online, nos nossos dias, do que
replicar uma forma ‘anti-natural’ de comunicação num meio que, não só
nos permite, como pede enquanto designers, uma forma de comunicação mais confortável
e eficiente à nossa espécie.
Defendo que o digital, através do multimédia (que engloba, claro está o hipertexto e
a interacção) deverá ‘soltar-se das amarras lógicas’ da página
impressa, de forma a dar espaço à criação de um novo diálogo, conforme Jay
David Bolter nos diz [2]. , no final deste capítulo.
Ao voltarmos ao diálogo com o nosso público, poderemos explorar, não só a
interactividade que tanto Platão, como Bolter defendem [2]
, como poderemos explorar conceitos antigos,
tal como a técnica de escrita mencionada no texto, praticada por
Heródoto:
a composição
em anel ou estrutura quiástica [3]
. Usando a definição de Bolter, este tipo de narrativa distingue-se pelo narrador contar
uma história; em certo ponto desviar-se e demorar-se sobre um promenor interessante, avisando depois
a audiência que iria retomar o fio da narrativa original.
Ainda segundo Bolter, este tipo de narrativa poder-se-ia representar como ‘uma linha recta, da qual
saiem ocasionais laços de desvio’ (acrescentaria eu, laços de informação
complementar). Tenho especial interesse neste conceito, uma vez que se aproxima bastante do conceito que
defendo para a produção de narrativas não ficcionais em suporte digital
[4]
.
A maior dificuldade que se pode pôr, na nossa busca da produção desde novo/antigo
diálogo é a de que, tal como nos diz Susan Weinschenk [1], o nosso
público moderno poderá não está à espera deste tipo de
soluções. Weinschenk explica que ‘todos nós temos modelos mentais’
e que esses modelos mentais ‘estão baseados nas nossas experiências passadas’.
Um modelo mental ‘é a representação que uma pessoa tem na sua cabeça
do objecto com está ou irá interagir’. Weinschenk finaliza, ‘se existir um
desencontro entre o modelo mental de uma pessoa e o modelo conceptual do objecto com que a mesma interage;
então o produto do nosso trabalho poderá ser díficil de aprender a usar, díficil
de usar e, eventualmente, não aceite’.
Resta-nos pois investigar e testar se a utilização de técnicas antigas de diálogo,
nas nossas narrativas digitais, estarão afastadas da realidade da nossa audiência moderna;
ou se, por outro lado, estarão biologicamente incrustadas na nossa forma de pensar e comunciar.
Conforme avanço no início deste post, estes testes far-se-ão através de
testes de usabilidade.
Jay David Bolter, multimédia, não-linear, comunicação digital, Heródoto, composição em anel, Susan Weinschenk, usabilidade
[1] Susan Weinschenk, 100 Things Every Designer Need to Know About People
[2] Amazon, Writing Space
[3] Wikipedia, Chiastic Structure
[4] Pedro Monteiro, Narratives for Digital Distribution
2012